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Física · 7 min

Como calcular queda de tensão

Aprenda a estimar a queda de tensão percentual e em volts em circuitos monofásicos e trifásicos pelo método resistivo simplificado.

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Resumo

Pontos principais antes de entrar no passo a passo.

  • 1A queda de tensão mede quanto da tensão nominal se perde ao longo do condutor por efeito resistivo.
  • 2O método resistivo simplificado usa resistividade do material, comprimento, corrente e seção do condutor.
  • 3O fator k muda com o tipo de circuito: 2 no monofásico (ida e volta) e √3 no trifásico equilibrado.
  • 4Aumentar a seção do condutor reduz a queda de tensão na mesma proporção inversa.
  • 5Este cálculo é uma estimativa didática: projetos formais devem seguir a norma vigente e parâmetros de projeto.

Método resistivo simplificado (ρ·L/S)

Para aplicar a fórmula, reúna o tipo de circuito (mono ou trifásico), o material do condutor (cobre ou alumínio), a corrente que vai circular, o comprimento de um trecho do condutor, a seção escolhida e a tensão nominal do circuito.

ΔU%=kρLISU×100\Delta U\% = \frac{k\,\rho\,L\,I}{S\,U}\times 100
ΔU% é a queda de tensão percentual; k é 2 (monofásico) ou √3 (trifásico); ρ é a resistividade do condutor em Ω·mm²/m; L é o comprimento de um trecho do condutor em metros; I é a corrente em ampères; S é a seção do condutor em mm²; U é a tensão nominal em volts.

O resultado ΔU% mostra a queda como porcentagem da tensão nominal. A queda em volts é ΔU = (ΔU%/100) × U. Compare o percentual com o limite de projeto adotado para decidir se a seção do condutor precisa aumentar.

Passo a passo

  1. 1

    Identifique o tipo de circuito e o material do condutor

    Defina se o circuito é monofásico (fator k = 2) ou trifásico equilibrado (fator k = √3), e se o condutor é de cobre ou alumínio — a resistividade ρ muda de acordo com o material.

  2. 2

    Reúna corrente, comprimento e seção

    Anote a corrente prevista (I, em ampères), o comprimento de um trecho do condutor (L, em metros) e a seção transversal escolhida (S, em mm²). O comprimento é medido de um lado do circuito, não ida e volta somadas — o fator k já contabiliza isso.

  3. 3

    Calcule a queda em volts

    Multiplique k pela resistividade, pelo comprimento e pela corrente, e divida pela seção: ΔU = (k · ρ · L · I) / S. O resultado é a queda absoluta em volts.

  4. 4

    Converta para porcentagem e compare com o limite

    Divida a queda em volts pela tensão nominal e multiplique por 100 para obter ΔU%. Compare com o limite adotado no projeto — se ultrapassar, aumente a seção do condutor ou reduza o comprimento do trecho.

Exemplos comentados

Exemplo 1

Circuito monofásico 127 V, cobre 6 mm²

Um circuito monofásico de 127 V alimenta uma carga de 20 A, com um trecho de 30 m de condutor de cobre e seção de 6 mm².

ΔU=2×0,01724×30×2063,45 VΔU%=3,45127×1002,71%\Delta U = \frac{2 \times 0{,}01724 \times 30 \times 20}{6} \approx 3{,}45\text{ V} \quad \Delta U\% = \frac{3{,}45}{127}\times 100 \approx 2{,}71\%

A queda é de aproximadamente 3,45 V, ou 2,71% da tensão nominal — dentro da faixa típica de tolerância usada em projetos de iluminação e tomadas.

Exemplo 2

Circuito trifásico 380 V, alumínio 16 mm²

Um circuito trifásico de 380 V entre fases alimenta uma carga de 32 A, com um trecho de 45 m de condutor de alumínio e seção de 16 mm².

ΔU=3×0,0282×45×32164,40 VΔU%=4,40380×1001,16%\Delta U = \frac{\sqrt{3} \times 0{,}0282 \times 45 \times 32}{16} \approx 4{,}40\text{ V} \quad \Delta U\% = \frac{4{,}40}{380}\times 100 \approx 1{,}16\%

A queda é de aproximadamente 4,40 V, ou 1,16% da tensão nominal — um percentual baixo, típico de um condutor com seção generosa para a corrente exigida.

Exemplo 3

Efeito de aumentar a seção do condutor

Mesmo circuito do primeiro exemplo (monofásico 127 V, cobre, 20 A, 30 m), mas trocando a seção de 6 mm² para 10 mm².

ΔU=2×0,01724×30×20102,07 VΔU%1,63%\Delta U = \frac{2 \times 0{,}01724 \times 30 \times 20}{10} \approx 2{,}07\text{ V} \quad \Delta U\% \approx 1{,}63\%

A queda cai de 2,71% para 1,63% — a redução acompanha exatamente a razão inversa entre as seções (6/10), confirmando que engrossar o condutor é a forma mais direta de reduzir a queda de tensão.

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Entenda melhor

Quando esse cálculo aparece no dia a dia

A queda de tensão entra em cena no dimensionamento de qualquer circuito elétrico com trecho de fiação relevante: ampliações de casa, instalação de chuveiro elétrico, extensões para oficinas, galpões ou pontos afastados do quadro de distribuição. Quanto maior a corrente e o comprimento do trecho, maior a chance de a queda ultrapassar o limite recomendado — por isso o cálculo costuma orientar a escolha da seção do condutor antes da compra do material.

Monofásico x trifásico: o que muda no fator k

O fator k ajusta a fórmula ao tipo de circuito:

  • Monofásico (k = 2): a corrente percorre o condutor de ida e o de retorno, então o efeito resistivo é contado duas vezes ao longo do mesmo comprimento L.
  • Trifásico equilibrado (k = √3): a convenção do método resistivo simplificado usa √3 em vez de 2 quando a tensão de referência é a tensão de linha (entre fases), acompanhando a forma como cargas trifásicas equilibradas costumam ser especificadas em projeto.

Usar o fator errado é uma das causas mais comuns de resultado equivocado — sempre confirme se o circuito é mono ou trifásico antes de aplicar a fórmula.

O que este modelo não cobre

O método resistivo simplificado (ρ·L/S) é uma aproximação didática, útil para conferência rápida. Ele não considera reatância do condutor, variação de temperatura acima da referência (~20°C), harmônicos nem o método de instalação (embutido, aparente, eletroduto). Para projeto legal, dimensionamento com responsabilidade técnica e definição de limites de queda, é preciso seguir a norma vigente aplicável a instalações elétricas de baixa tensão, com as tabelas e os fatores de correção previstos nela.

Cuidados comuns

Confundir o comprimento do trecho com a distância total ida e volta

Nesta fórmula, L é o comprimento de um condutor do trecho — o fator k (2 no monofásico) já representa o efeito de ida e volta. Contar a distância dobrada e ainda aplicar k = 2 superestima a queda.

Trocar a resistividade do material sem perceber

Cobre e alumínio têm resistividades diferentes (o alumínio conduz pior para a mesma seção). Usar o valor de resistividade errado para o material realmente instalado distorce o resultado sem que o erro seja óbvio.

Tratar o resultado como projeto elétrico pronto

O cálculo resistivo simplificado serve para estimativa e estudo. Ele não substitui o dimensionamento formal previsto na norma vigente, que considera proteção, agrupamento de circuitos, temperatura e outros fatores que este modelo ignora.

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Perguntas frequentes

É a diferença entre a tensão na origem do circuito e a tensão que chega à carga, causada pela resistência do condutor. Uma queda excessiva pode prejudicar a partida de motores, causar oscilação em lâmpadas e reduzir o desempenho de equipamentos sensíveis.

Muda o fator k da fórmula: 2 para monofásico (efeito de ida e volta no mesmo condutor) e √3 para trifásico equilibrado, seguindo a convenção usual do método resistivo simplificado com tensão de linha.

Sim, na fórmula resistiva a queda é inversamente proporcional à seção: dobrar a seção reduz a queda pela metade, mantendo os demais parâmetros iguais. É a forma mais direta de resolver uma queda acima do limite.

Não. É uma estimativa didática para conferência rápida. Projeto formal, responsabilidade técnica, proteção dos circuitos e limites de queda devem seguir a norma vigente aplicável a instalações elétricas de baixa tensão.
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